27 de junho de 2011

Cara feia para mim é fome!


Saí hoje do trabalho e fui jantar fora com meu namorado. Tudo estava ótimo, até o momento de pagar a conta. 

Não. Não estávamos sem dinheiro para pagar. 
A garçonete do restaurante pegou meu cartão para passar em sua máquina. Ela passou uma, duas. Seis vezes. 
E uma mensagem na máquina aparecia dizendo que o cartão estava inválido.

O problema era a cara feia que ela fazia questão de esboçar.
A cada mensagem de erro, ela olhava para mim buscando uma resposta. Como se quisesse que eu resolvesse o problema.
Com aquele olhar: "Querida, seu cartão está bloqueado." Ou algo do tipo.

Minha raiva crescia.

Engoli em seco e então perguntei se haveria outra máquina, descartando com segurança a hipótese de ter alguma coisa errada com o cartão. Por mais que aquela garçonete em si, quisesse muito o contrário.

Ela insatisfeita, foi pegar uma segunda máquina. 
E para sua infelicidade, o cartão funcionou. Ou melhor: a máquina funcionou!

Ela se desmanchando em risos, pediu desculpas, pois se lembrou que a primeira máquina que pegara estava realmente com defeito.

Nessas horas é que dá vontade de falar: "Estudasse minha filha!"

2 comentários:

  1. Todos nós, uma vez ou outra, passamos por isso. Seu texto, aliás, tem o poder da crônica que traduz em palavras a mais rotineira repetição do dia-a-dia.

    Mas exercitar diferentes pontos de vista, além de estimular as idéias, é ótimo para diluir maus humores. Neste caso específico, por exemplo, eu diria que a funcionária do caixa estudou muito, sempre tendo que trabalhar pra pagar os estudos que o estado lhe negou.

    Acordando às 5 da manhã e dormindo meia-noite, estudando e trabalhando, formou-se e pósgraduou-se até a livredocência... mas a vida não lhe deu oportunidades e, como tantos outros, está trabalhando fora de sua profissão que tanto amava e almejava.

    Sim... motivos de sobra para o mau humor. Mesmo assim, existem aqueles que, mesmo em tal situação, reservam sorrisos para os outros (que não tem culpa de nada disso). Muito nobre, sem dúvida, mas não podemos exigir tanto de todos.

    Mas devemos exigir de nós mesmos.

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  2. Com tantos estudos acho difícil a ausência de oportunidades.

    Se tanto tivesse estudado, seria uma pessoa mais esclarecida e não tão arrogante, como foi comigo.

    Também concordo que muitos tenham problemas e ainda assim, oferecem sorrisos. Pois assim como aquela funcionária, havia um outro garçom extremamente simpático.

    Garçom que dá vontade de levantar quando ele vai lhe servir. Não tenho dúvidas da quantidade de problemas que ele deve ter. Assim como a outra funcionária, assim como eu e você.

    Mas saber separar as coisas é fundamental.
    Seja para bancar os estudos ou seus vícios, o trabalho dela requer lidar com público.

    Mesmo que ela tivesse todos os estudos do mundo, conheço pessoas mais ignorantes (em seu significado real da palavra) e que não deixam de ser simpáticas apesar de tudo. Pois não é motivo, não justifica.

    Principalmente em seu ambiente de trabalho.

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