Ir a um hospital nunca é bom. As pessoas estão em sua maioria com dores, agoniadas, sofrendo por algum motivo. Felizes nunca estão.
Mas há ainda aquelas pessoas que já se acostumaram com o hospital. Há aqueles que encontram no hospital algum tipo de refúgio. Alguns nitidamente saudáveis, estão lá todos os dias. Procurando doenças talvez.
Dos visitantes assíduos, a maioria conhece todos os médicos de determinados setores. Sabem seus nomes, onde moram, sobre suas vidas pessoais.
Um dos assuntos entre os corredores é sobre a filha doente de uma das enfermeiras. E assim vai.
Um estágio mais avançado é quando tais pacientes já se confundem com os próprios médicos. Eles acreditam que por estarem tanto tempo ali, aprenderam a tal da medicina.
Começam a conversar com os "novos" pacientes e ensaiam ali um primeiro atendimento. Perguntam o que sentem, quais as queixas, etc. Perguntas que já cansaram de ouvir e assim, decoraram.
Em cima das respostas, eles começam a lhe medicar o que realmente acreditam dar certo. E ainda confirmam: "A Doutora Fulana me receitou, é muito bom". E isso parece fazer deles pessoas melhores, como se sentissem realizando uma função. Mas o fazem com prazer.
Acontece que estes que acreditam ter estudado essa medicina genérica, tentam passar adiante suas lições. A ponto de em uma simples conversa à espera do ônibus, já terem medicado uma pessoa.
E outra, e mais outra, e outra...
Até que estes assumem suas novas profissões e saem por aí exercendo-a.
E o mais interessante, é que isso não é um tipo de atitude anormal. Ou vai falar que você nunca aceitou uma receita desses médicos genéricos?
Eu nunca aceitei... mas minha mãe e especialmente minha avó...ja perdi a conta...
ResponderExcluirEssas coisas são rotineiras, se prestarmos atenção conseguimos apontar vários casos desses durante o dia. É no mínimo engraçado.
ResponderExcluirSempre achei que há algo errado com a medicina hoje. Quando entramos num hospital pela primeira vez, para um tratamento qualquer, recebemos uma caderneta com umas 50 quadrículas! Servem para marcar as consultas futuras.
ResponderExcluirOs tratamentos sem fim já estão instituidos. Os doentes se tornam sócios de carteirinha.
Hospitais lotados, farmácias se proliferando e a saúde, na contra-mão, cada vez pior. Vai entender...
E há algum serviço público que acompanhe o fluxo?
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